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#12: GAETANINHO (Alcântara Machado, 1927)

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 - Xi, Gaetaninho, como é bom!  Gaetaninho ficou banzando bem no meio da rua. O Ford quase o derrubou e ele não viu o Ford. O carroceiro disse um palavrão e ele não ouviu o palavrão.  - Eh! Gaetaninho! Vem prá dentro.  Grito materno sim: até filho surdo escuta. Virou o rosto tão feio de sardento, viu a mãe e viu o chinelo.  - Subito!  Foi-se chegando devagarinho, devagarinho. Fazendo beicinho. Estudando o terreno. Diante da mãe e do chinelo parou. Balançou o corpo. Recurso de campeão de futebol. Fingiu tomar a direita. Mas deu meia volta instantânea e varou pela esquerda porta adentro.  Êta salame de mestre!  Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro. De enterro ou de casamento. Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho.  O Beppino por exemplo. O Beppino naquela tarde atravessara de carro a cidade. Mas como? Atrás da tia Peronetta que se mudava...

#11: E TINHA A CABEÇA CHEIA DELES (Marina Colasanti, 1986)

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  T odos os dias, ao primeiro sol da manhã, mãe e filha sentavam-se na soleira da porta. E deitada a cabeça da filha no colo da mãe, começava esta a catar-lhe piolhos. Os dedos ágeis conheciam sua tarefa. Como se vissem, patrulhavam a cabeleira separando mechas, esquadrinhando entre os fios, expondo o claro azulado do couro. E na alternância ritmada de suas pontas macias, procuravam os minúsculos inimigos, levemente arranhando com as unhas, em carícia de cafuné. Com o rosto metido no escuro pano da saia da mãe, vertidos os cabelos sobre a testa, a filha deixava-se ficar enlanguescida, enquanto a massagem tamborilada daqueles dedos parecia penetrar-lhe a cabeça, e o calor crescente da manhã lhe entrefechava os olhos. Foi talvez devido à modorra que a invadia, entrega prazerosa de quem se submete a outros dedos, que nada percebeu naquela manhã – a não ser, talvez, uma leve pontada – quando a mãe, devassando gulosa o secreto reduto da nuca, segurou seu achado entre polegar e indicador...

#6: EROS E CIVILIZAÇÃO (Modesto Carone)

Era tarde quando Marta abriu as pernas. Havia pouca luz no quarto, mas isso não impedia que as lâminas dos pequenos lábios rasgassem a obscuridade com reflexos intermitentes. Diante dos meus olhos as chispas moviam-se silenciosas, tecendo no ar uma trama de traços metálicos. Na espiral que ia da cama ao teto, os fios armavam afinal uma estrela pontuda. Com a face direita voltada para a projeção noturna, coroamento do espetáculo, Marta chegava à serenidade do dever cumprido. O estrailho é que apesar de tudo ela ainda chorasse. Para atenuar uma dor que parecia sincera, peguei a banana da fruteira e a ofereci à voracidade das lâminas. Sua comoção não se fez esperar: em poucos segundos nada mais restava na palma da minha mão. As lágrimas No entanto ainda vincavam a planície gelada. Foi então me ocorreu aparar as unhas no inquieto mecanismo. E verdade que nesse gesto havia mais interesse que solidariedade, pois niilito tempo eu não as cortava decentemente. Devo admitir que o serviço foi per...

#5: Vereda Tropical (Pedro Maia Soares, 1976)

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Amo melancias. Gosto de possuí-las ao fim da tarde, quando vem chegan do a penumbra, de pé, sobre a mesa da cozinha, no sofá onde é mais aconchegante, ou deitado no tapete da sala onde podemos rolar de um lado para o outro. Prefiro as longas, escuras, rajadas, mas são difíceis de encontrar. Por isso, quase sempre tenho uma das redondinhas comigo. Faço um orifício pouco profundo, o suficiente apenas para remover a casca. Depois penetro-as, sentindo a carne vermelha se desmanchar, deixando escorrer um líquido fresco e doce. Com as mãos seguro o outro lado, acariciando o lugar do cabo. Bem lavadas e lustradas, elas são macias ao tato, as mãos escorregam pelo arredondado da forma. E eu pressiono mais para dentro, sinto as sementes me envolvendo e ouço o ruído da carne que se esfacela, Com as longas é possível possuí-las dos dois lados, sempre o mesmo resultado. Não encontro o primeiro furo, é preciso fazer tudo de novo, o prazer é total. Com as pequenas, em compensação, ao penetrar do lado...