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#7: UMA FLOR AMARELA (Julio Cortázar, 1956)

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P arece brincadeira, mas somos imortais.  Sei disso pela negativa, sei porque conheço o único mortal. Ele me contou sua história num bistrô da rue Cambronne, tão bêbado que não tinha o menor problema em dizer a verdade embora o dono e os velhos fregueses do balcão rissem até soltar vinho pelos olhos. Ele deve ter visto algum interesse pintado na minha cara, porque não desgrudou mais de mim e acabamos nos dando o luxo de uma mesa num canto onde se podia beber e conversar em paz. Contou que era aposentado da prefeitura e que sua mulher tinha ido morar com os pais por uma temporada, um jeito como outro qualquer de admitir que o deixara. Era um sujeito nada velho e nada ignorante, com um rosto ressecado e olhos tuberculosos. Realmente bebia para esquecer, coisa que proclamava a partir do quinto copo de vinho tinto. Não senti nele o cheiro que é uma assinatura de Paris mas que aparentemente só nós, estrangeiros, sentimos. E tinha unhas bem-cuidadas, e nada de caspa. Contou que um dia ti...