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#3: O MOÇO DO SAXOFONE - (Lygia Fagundes Telles, 1970)

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E u era chofer de caminhão e ganhava uma nota alta com um cara que fazia contrabando.  Até hoje não entendo direito por que fui parar na pensão da tal madame, uma polaca que quando moça fazia a vida e depois que ficou velha inventou de abrir aquele frege-mosca. Foi o que me contou o James, um tipo que engolia giletes e que foi o meu companheiro de mesa nos dias em que trancei por lá. Tinha os pensionistas e tinha os volantes, uma corja que entrava e saía palitando os dentes, coisa que nunca suportei na minha frente. Teve até uma vez uma dona que mandei andar só porque no nosso primeiro encontro, depois de comer um sanduíche, enfiou um palitão entre os dentes e ficou de boca arreganhada de tal jeito que eu podia ver até o que o palito ia cavucando. Bom, mas eu dizia que no tal frege-mosca eu era volante. A comida, uma bela porcaria e como se não bastasse ter que engolir aquelas lavagens, tinha ainda os malditos anões se enroscando nas pernas da gente. E tinha a música do saxofone. N...

Contistas Brasileiras para ler todo dia

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  O post é sobre contistas brasileiras, mas como o mote foi o 8 de março, Dia da Mulher, vou começar falando de Virginia Woolf escritora inglesa que causou muito na cena literária londrina, e do mundo, nas primeiras décadas do século passado. Em 1928, fez uma série de palestras na Universidade de Cambridge, que depois virou o livro “Um teto todo seu”, clássico da literatura feminista, que fala sobre as condições da mulher na sociedade e sua produção literária. Passado tanto tempo ainda são incomodamente atuais. Uma frase sua ficou célebre: “Uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu”.  E você quando você pensa em autoras femininas brasileiras pensa em quem? Qual a escritora brasileira que primeiro vem à sua cabeça? Clarice? Lygia? Raquel? Cecília? Conceição? Consegue rapidamente elencar dez das suas escritoras nacionais preferidas? É mais fácil quando se fala de autores homens, né? Nessa nossa sociedade machista, a literatura não foge à regra. Então como gancho do Di...