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#4: OFÉLIA, MEU CACHIMBO E O MAR (Murilo Rubião, 1947)

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G osto de conversar com Ofélia na varanda após o jantar,  cachimbo entre os dentes e o oceano, enegrecido pela noite, estendendo-se à nossa frente. Conto-lhe episódios da crônica de minha família ou do mar, esquecendo-me frequentemente de que ela só se interessa por histórias de caçadas. Quando me lembro disso, lamento a condição de Ofélia, descendente de nobre estirpe de caçadores. Mas o que posso fazer, além de lastimar? Não sinto a menor atração por esse esporte e entre os meus antepassados não sei de algum que tenha levantado a arma para exterminar animais que não fossem do gênero humano.Se noto que a conversa vai morrendo por culpa de Ofélia, que cerrou os olhos para melhor sonhar com selvas e tiros, calo-me por instantes e me ponho a ouvir vozes soturnas que vêm do mar. Ouço as sirenes que cortam a noite como gemidos de homens que se perderam em águas distantes. Talvez seja mera impressão minha. Os sons emitidos pelas naves, procurando ou se afastando do porto, podem simboliz...